quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Livro MEU RASTRO - CAPA/PREFÁCIO


MEU RASTRO – PREFÁCIO

Francisco Assis Machado Santos

O título do livro, por si só, traduz o universo que a obra encerra, que são os diversos caminhos por que trilhou o autor ao longo de sua fértil existência, com a licença poética própria daqueles que possuem a rara sensibilidade de exprimir seus sentimentos de forma simples e ao mesmo tempo sofisticada.
Com suas nuances urbano-rurais, Meu Rastro remete-nos a um Brasil de outrora, de singeleza bucólica, quando tardes mansas e brisas amenas acariciavam nossos rostos e acalentavam nossos sonhos. Tendo como moldura de fundo o Velho Chico, a obra convida o leitor a percorrer caudalosas correntes de poesia, carregadas de amor – às vezes filial, noutras fraternal e até mesmo sacana – e desembocando, de forma arrebatadora, em versos saborosos e desconcertantes, quase sempre intimistas como que soprados ao pé do ouvido.
Adilson, em seu livro, brinca com temas cotidianos, aparentemente sem maior importância aos olhos dos subjetivistas, como neste verso singularmente sonoro e lírico que inicia um de seus poemas “Chuva”, onde o poeta brada “Oh chuva que cai, lava a alma do dia./ Chuva linda, amena, morna da tarde/ respingos do amor que ainda arde/ desafoga meu peito que há pouco fervia...”.
Com esse estilo peculiar, tão próprio, o autor, a seu modo, de alguma forma nos re-ensina a descobrir nas palavras simples e despojadas, com alguns poemas recheados de aprazível frescor juvenil, um universo de significados, porque carregadas de sentimentos e espontaneidade.
Recorrendo a versos livres e agudos, com sonoridade, timbres e intensidade variados, Adilson tem como mote adentrar, o mais profundamente possível, em sua infância fagueira, passeando pela adolescência feérica e intrépida, culminando com o seu olhar de homem maduro e experimentado, agora testemunha também do advento de um mundo globalizado, por isso inquietante e até mesmo hostil, principalmente à vista daquele menino interiorano que ainda habita no autor.
Meu Rastro é a pegada, a marca de cada passo dado a caminho do fascínio e do desconhecido, em linguagem prazerosamente cotidiana, onde o autor nos brinda com sentimentos por ele vividos – e bem vividos, como ele próprio ressalta –, ao longo de sua caminhada. Com seu texto leve e descompromissado com formas preconcebidas, Meu Rastro tem o dom de nos enlevar em saborosos momentos de fantasia enriquecedora da alma.
O debute de Adilson no mundo literário, antes de meramente ser um acontecimento do mercado editorial, constitui a certeza que de que o homem, nesta nova era, ainda que a cada dia mais high-tech (com licença para o estrangeirismo, por força de seu universalismo), é, e sempre o será, o grande protagonista desta epopéia que é a inexorável caminhada da humanidade, porque totalmente prenhe de sentimentos e afetos, atributos – ou defeitos? – de que não padecem as máquinas.


“Se alguém te perguntar o quiseste dizer com um poema, pergunta-lhe o que Deus quis dizer com este mundo...” Mário Quintana

Nenhum comentário:

Postar um comentário