sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
Livro MEU RASTRO - CAPA/PREFÁCIO
MEU RASTRO – PREFÁCIO
Francisco Assis Machado
Santos
O título
do livro, por si só, traduz o universo que a obra encerra, que são os diversos
caminhos por que trilhou o autor ao longo de sua fértil existência, com a
licença poética própria daqueles que possuem a rara sensibilidade de exprimir
seus sentimentos de forma simples e ao mesmo tempo sofisticada.
Com suas
nuances urbano-rurais, Meu Rastro
remete-nos a um Brasil de outrora, de singeleza bucólica, quando tardes mansas
e brisas amenas acariciavam nossos rostos e acalentavam nossos sonhos. Tendo
como moldura de fundo o Velho Chico, a obra convida o leitor a percorrer
caudalosas correntes de poesia, carregadas de amor – às vezes filial, noutras
fraternal e até mesmo sacana – e desembocando, de forma arrebatadora, em versos
saborosos e desconcertantes, quase sempre intimistas como que soprados ao pé do
ouvido.
Adilson,
em seu livro, brinca com temas cotidianos, aparentemente sem maior importância
aos olhos dos subjetivistas, como neste verso singularmente sonoro e lírico que
inicia um de seus poemas “Chuva”, onde o poeta brada “Oh chuva que cai, lava a
alma do dia./ Chuva linda, amena, morna da tarde/ respingos do amor que ainda
arde/ desafoga meu peito que há pouco fervia...”.
Com esse
estilo peculiar, tão próprio, o autor, a seu modo, de alguma forma nos
re-ensina a descobrir nas palavras simples e despojadas, com alguns poemas
recheados de aprazível frescor juvenil, um universo de significados, porque
carregadas de sentimentos e espontaneidade.
Recorrendo
a versos livres e agudos, com sonoridade, timbres e intensidade variados,
Adilson tem como mote adentrar, o mais profundamente possível, em sua infância
fagueira, passeando pela adolescência feérica e intrépida, culminando com o seu
olhar de homem maduro e experimentado, agora testemunha também do advento de um
mundo globalizado, por isso inquietante e até mesmo hostil, principalmente à
vista daquele menino interiorano que ainda habita no autor.
Meu Rastro é a pegada, a marca de
cada passo dado a caminho do fascínio e do desconhecido, em linguagem
prazerosamente cotidiana, onde o autor nos brinda com sentimentos por ele
vividos – e bem vividos, como ele próprio ressalta –, ao longo de sua
caminhada. Com seu texto leve e descompromissado com formas preconcebidas, Meu Rastro tem o dom de nos enlevar em
saborosos momentos de fantasia enriquecedora da alma.
O debute
de Adilson no mundo literário, antes de meramente ser um acontecimento do
mercado editorial, constitui a certeza que de que o homem, nesta nova era,
ainda que a cada dia mais high-tech
(com licença para o estrangeirismo, por força de seu universalismo), é, e
sempre o será, o grande protagonista desta epopéia que é a inexorável caminhada
da humanidade, porque totalmente prenhe de sentimentos e afetos, atributos – ou
defeitos? – de que não padecem as máquinas.
“Se
alguém te perguntar o quiseste dizer com um poema, pergunta-lhe o que Deus quis
dizer com este mundo...” Mário Quintana
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